sexta-feira, 15 de abril de 2016

Mortes no Mater Dei preocupam até servidores; falta cirurgião e materiais básicos como soro e algodão

Reportagem
Lucélia Andrade

Se para o usuário a Saúde Pública de Tangará da Serra está um caos; para a equipe médica que atende no Hospital Municipal (Mater Dei) ela está catastrófica. Isso porque profissionais precisam se desdobrar todos os dias para atender a pacientes sem as condições mínimas de trabalho. E quando digo mínimas, é porque a situação por lá já atravessou todos os limites.

Informações de servidores dão conta de que há pouco soro na unidade hospitalar e o pouco que há é regado e dividido em pequenas quantidades para atender os pacientes. Falta também algodão, analgésico e outros medicamentos básicos indispensáveis em qualquer unidade de pronto atendimento, como a Benzetacil.

Atendimento afogado e ausência de estrutura mínima, reflexos do descaso da Administração Municipal com a Saúde. Mas… infelizmente os problemas enfrentados na unidade não param por aí e tem tomado proporções gigantescas. 

O local está sem cirurgião desde o dia 22 de agosto do ano passado, período que o contrato com os profissionais venceu, mas não foi renovado na sequência. Acontece que esses cirurgiões, segundo revelou uma fonte do blog que não quer ser identificada, praticamente faziam ‘filantropia’, sem salário digno para trabalhar.

Houve pressão popular na época e a gestão, então, dez dias após ter vencido o contrato, encaminhou projeto à Câmara de Vereadores para contratação dos profissionais o que não adiantou, porque pelos salários pagos os próprios médicos dizem que não teria como os trabalhar.

Com isso o caos se instalou ainda mais no Mater Dei.

A fonte desabafou que de lá para cá muita gente tem morrido talvez por não ter cirurgião no Hospital. Essa mesma fonte afirmou ainda que pelo menos de 15 a 20 pessoas já foram a óbito no período.

Um exemplo recente foi o de um acidente que vitimou fatalmente mãe e filho no final de semana. O homem teria ficado das 22h às 5h na unidade, aguardando a morte. Isso mesmo! Sem cirurgião, a equipe não conseguiu salvar sua vida. Outra vítima que foi atingida por um coice de cavalo, teria ficado 8 dias no Mater Dei, até que foi encaminhada a Cuiabá, mas já era tarde. Ela também não resistiu. A família denuncia que houve negligência.

Ainda de acordo com a fonte, casos mais urgentes são encaminhados a um hospital particular que tem contrato com o Município. Isso quando há cirurgião no plantão. “Economizou no salário dos cirurgiões, mas gastou com hospital particular”, disparou a fonte que aproveitou para ressaltar que nem o prefeito e muito menos o Secretário de Saúde frequentam o Hospital.


“Eles não conhecem a realidade”, lamentou.